sábado, junho 9
Eu poderia dizer que as coisas estão indo bem, mas eu estaria mentindo. Sabe quando existe mil e uma coisas a serem feitas e você acha que não vai dar conta só porque são muitas? E se cansa só de se ver atolado de tarefas? É assim que eu me sinto agora. Não consigo dar conta da metade delas. E vai me desgastando, drenando parte de mim, e eu já não me sinto inteiro. Incompleto. Tão assim que eu não consigo escrever. Tirei a minha tomada do mundo e me desliguei pra ver se melhorava, colocava a mente no lugar, mas continuo na mesma. Os raios de sol ficam retidos nas nuvens escuras, os sorrisos das pessoas estão sempre amarelos... Parece que o que acontece comigo afeta o mundo, quando na verdade o que acontece é ao contrário. Só escrevi agora parar desabafar, já que não tem ninguém do meu lado e vou parar porque está frio. Uma boa xícara de café - a la www.cafeedoisdedosdeprosa.blogspot.com - me espera.
quinta-feira, maio 31
Acorda bem. Pisa o pé direito no chão. Toma banho, veste a melhor calça, a blusa mais bonita e calça os melhores sapatos. Senta na mesa e enche de café uma xícara vermelha, bebe, deseja bom-dia a sua mulher, dá-lhe um beijo e sai de casa para o expediente. Acaba observando que o céu nunca esteve tão azul e nem há nuvens atrapalhando os raios de sol, e que hoje com certeza é um bom dia. Chega atrasado no trabalho, olha em volta e vê um sorriso amarelo no rosto de uns, bocas entortadas em tom de preocupação em outros, mas sabe que aquele é um bom dia e o seu sorriso está esticado até onde não se pode mais. Sai para almoço e resolve não voltar para casa. Avista um restaurante - que não havia sido percebido até hoje - bem em frente ao estabelecimento e segue até lá. Ao fim do horário volta aos serviços. Faz tudo o que tem de ser feito sem pensar como é chato dar conta daquela pilha de coisas. Até canta a sua música favorita enquanto termina de organizar os papéis para ir embora. Liga o carro e vai até o mercado. Não compra pão e leite como de praxe. Acha que dois litros de refrigerante e três pizzas de sabores diversos serão suficientes para dar uma quebrada na rotina massante dos dias normais. Chega em casa e vê que a sua mulher ainda não voltara do trabalho e resolve deixar tudo preparado para quando der a hora de ela voltar para casa. Guarda a garrafa de refrigerante no freezer, coloca as pizzas no forno e vai tomar banho. Por já ter passado das sete horas da noite, começou a esfriar e resolve vestir um suéter e uma bermuda para aguardar a chegada da sua amada. Ela chega e logo ele mostra o que havia preparado. Então, ele aguarda que ela tome um banho para se juntarem e comerem juntos. Preferem o sofá espaçoso e aconchegante da sala a rotineira mesa de refeições da cozinha. Após terminarem, sobem para o quarto e ele tem uma boa noite. Assim acaba um bom dia, com uma boa noite.
quarta-feira, maio 30
3 dedos de culpa e uma colher de gostar.
Terminei a refeição do meio-dia e me recostei no sofá com um copo cheio de uma bebida da qual eu havia provado poucas vezes. Nada de um gole de vinho, ou dose de uísque. Só uns três dedos de culpa. Não importa como aconteceu, mas eu bebi e senti de novo aquela sensação estranha. Ao invés de descer como fogo pela garganta, descia fria como um copo de água que estava num freezer mas ainda sem congelar. E continuou a produzir a mesma sensação. Frio. Frio na barriga, com um leve gosto de dúvida. Ou mistério. Parece coisa de psicopata, mas gostei do que senti. Geralmente a culpa é como um peso nas costas, uma dor de cabeça que só passa quando se coloca para fora o que causa a angústia. Comigo é diferente. Degustar a culpa me faz querer ser mais culpado, e beber mais dessa substância diretamente da garrafa. É como o álcool para um alcoólatra, sem a dependência. Porque depender é só para os fracos, e viver único e sozinho não é para todos. Sou assim independente, culpado, réu em vários graus. E vivo errando e me culpando e sentindo o frio na barriga. E gostando.
segunda-feira, maio 28
Aspas
Enquanto houver você do outro lado
Aqui do outro eu consigo me orientar
A cena repete a cena se inverte
Enchendo a minha alma daquilo que outrora eu deixei de acreditar
Aqui do outro eu consigo me orientar
A cena repete a cena se inverte
Enchendo a minha alma daquilo que outrora eu deixei de acreditar
Tua palavra, tua história
Tua verdade fazendo escola
E tua ausência fazendo silêncio em todo lugar
Tua verdade fazendo escola
E tua ausência fazendo silêncio em todo lugar
Metade de mim
Agora é assim
De um lado a poesia o verbo a saudade
Do outro a luta, a força e a coragem pra chegar no fim
E o fim é belo incerto... depende de como você vê
O novo, o credo, a fé que você deposita em você e só
Agora é assim
De um lado a poesia o verbo a saudade
Do outro a luta, a força e a coragem pra chegar no fim
E o fim é belo incerto... depende de como você vê
O novo, o credo, a fé que você deposita em você e só
Só enquanto eu respirar
Vou me lembrar de você
Só enquanto eu respirar...
Vou me lembrar de você
Só enquanto eu respirar...
quarta-feira, maio 23
clichê fora do comum
Foi quando eu tirei essa fotografia. Lembrei dela. Olhei nos grãos de terra e vi o castanho do cabelo e dos seus olhos. Olhei as pétalas da delicada flor que estavam murchas do frio e vi o tom róseo das suas maçãs do rosto. E olhei para o verde, mas dessa vez não vi. Só senti, o vento gélido da manhã, que acalma e esfria a mente e o coração. Foi isso. Captei a flor e fiz a fotografia. E vi. E senti. Ela, só ela.
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